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ABRIGOS
Sebes vegetais de várias espécies (banksias, cameleiras, faias, incensos,
metrosíderos, etc.) que protegem terrenos de cultivo bem delineados,
geralmente murados e plantados com árvores de fruto (quintas). São mais altas
que os altos muros de vedação fazendo uma barreira contínua ao longo das
faces internas destes. São também utilizadas para dividir o terreno em secções
quadrangulares ou rectangulares – os “quartéis” – que aumentam a eficiência
da protecção às culturas. Foram especialmente utilizados durante o período de
intenso cultivo da laranja e encontram-se em franca decadência.
CAFUÃO
Edificação de apoio à actividade rural destinada normalmente ao
armazenamento dos produtos da terra. É construída parcial ou totalmente em
madeira, tem cobertura de duas águas e está frequentemente apoiada sobre
pilares de pedra ou de alvenaria para evitar o acesso dos roedores.
CASA PORTUGUESA
Movimento arquitectónico de carácter nacionalista que procurava renovar a
arquitectura doméstica reabilitando as características da habitação tradicional
portuguesa. Teve início na última década do século XIX e originou os
exemplares mais significativos nas primeiras décadas do século XX. Reagia
especificamente aos modelos de habitação importados que se difundiam pelo
país, em particular nas zonas de veraneio mais cosmopolitas, mas integrava-se
no ambiente nacionalista tardo-romântico que se seguiu ao ultimato inglês de
1890.
CONVERSADEIRAS
O mesmo que “namoradeiras”. Par de banquetas simétricas que ocupavam
geralmente os ângulos dos vãos das janelas em habitações de qualidade dos
séculos XVI ao XVIII, permitindo que duas pessoas se sentassem frente a frente.
Foram utilizadas também em reentrâncias nas guardas de terraços e balcões
dessas casas, em muros de jardins, e, já na Época Contemporânea, em muros
e vedações de vias e espaços públicos.
ESTILO MICAELENSE
Estilo arquitectónico seis-setecentista, caracterizado por uma decoração
classicizante que suporta, simultaneamente, uma simbologia de origem
popular. Encontra-se em todo o tipo de habitações urbanas, desde a pequena
casa térrea à casa solarenga, e, pontualmente, numa ermida ou num solar
isolado. Embora surja em núcleos urbanos de outros concelhos da ilha de São
Miguel, é na Ribeira Grande que se encontra a maior concentração de
exemplares e também os mais significativos.
Os edifícios do “estilo micaelense” caracterizam-se, principalmente, por terem
as molduras dos vãos encimadas por um friso com rombos em ponta de
diamante, ladeados por suásticas, sob uma cornija. Normalmente, as casas de
habitação deste estilo têm os característicos óculos de escada em cantaria
particularmente elaborados e é nelas que se podem encontrar as excepcionais
varandas a dobrar a esquina ou com a guarda em cantaria.
Ver artigo sobre o tema nesta publicação.
FALSA
O mesmo que sótão. Piso baixo situado geralmente sobre o piso principal de
uma casa de habitação. Corresponde à faixa superior da fachada e ao
aproveitamento do vão do telhado. Pode ocupar toda a área do corpo
principal da habitação ou só uma parte, podendo então funcionar como
mezanino. Serve frequentemente de espaço para dormir e é denunciado no
exterior pelas janelinhas implantadas junto ao beiral.
GRANEL
Edifício de apoio à actividade agrícola, construtiva e funcionalmente variável,
que serve normalmente de celeiro e/ou sequeiro e/ou armazém. Em contexto
urbano tem geralmente dois pisos, é construído em alvenaria de pedra e
integra-se na frente de rua como se fosse uma habitação.
LAR
Local da cozinha onde se acende o lume e se cozinham os alimentos. A sua
versão mais elementar, nos Açores, corresponde a uma simples bancada de
pedra (poial). Nas versões mais elaboradas corresponde a uma saliência da
cozinha (onde se encontra essa bancada) à qual estão acoplados o forno e a
chaminé.
LOJA
Piso inferior de uma habitação, normalmente destinado a funções de
armazenamento genérico ou de apoio à actividade rural incluindo a guarda
de alfaias e produtos agrícolas.
NAMORADEIRAS
Ver “conversadeiras”.
QUARTÉIS
Nome dado nalgumas ilhas às divisórias quadrangulares ou rectangulares dos
campos agrícolas realizadas com muros de pedra ou sebes vegetais. No
concelho da Ribeira Grande refere-se normalmente aos “abrigos” que
subdividem os terrenos de cultivo de árvores de fruto, nomeadamente nas “quintas da laranja”.
QUINTA DA LARANJA
Propriedade agrícola circundada de muros altos e geralmente subdividida em “quartéis” por meio de sebes vegetais (“abrigos”) que aumentam a eficiência
da protecção às árvores de fruto. Este tipo de organização dos terrenos teve o
seu maior desenvolvimento durante o período áureo do cultivo da laranja em
São Miguel.
SUMIDOURO
Poço circular pouco fundo, protegido por um murete, situado à beira das
estradas públicas nalguns terrenos de pasto ou de cultivo e cuja finalidade
parece ter sido contribuir para o escoamento da água das bermas.
TREATRO
Aliteração de teatro. Pequena construção destinada ao culto do Espírito Santo,
geralmente de planta quadrangular e com cobertura de telha, aberta, pelo
menos, do lado da frente. Nos lados abertos o telhado é, por vezes, suportado
por pilares.
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