22.189.26 SOLAR DE SÃO SEBASTIÃO
RABO DE PEIXE • LARGO DE SÃO SEBASTIÃO
EDIFÍCIO ISOLADO
ARQUITECTURA DOMÉSTICA
ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: SÉC.XVIII
   
   
     
DESCRIÇÃO: Casa solarenga constituída pelo corpo de habitação, pelo corpo da capela e por um corpo que liga a habitação à capela sobre uma passagem em abóbada de canhão.
O corpo da habitação, de planta rectangular, tem dois pisos e sótão (lojas no rés-do-chão e habitação nos pisos superiores). O acesso ao primeiro andar faz-se por meio de dois balcões com as respectivas escadas: um está adossado à empena esquerda e a respectiva escada envolve o cunhal do lado esquerdo da fachada; o outro está adossado ao tardoz e a respectiva escada é-lhe perpendicular. Ambos os balcões foram aproveitados para a construção de ampliações: no balcão da empena foi construído um compartimento que corresponde ao actual vestíbulo; o balcão do tardoz foi parcialmente ocupado por um compartimento de apoio à cozinha e de passagem para a instalação sanitária, sobre o qual foi construído um depósito de água. A instalação sanitária corresponde a um corpo que foi acrescentado ao lado do balcão e que se apoia parcialmente neste.
No interior da habitação, apesar de alterado para dar resposta às necessidades habitacionais contemporâneas, ainda se pode ler a espacialidade primitiva definida pelas paredes exteriores e por duas paredes resistentes que dividiam o corpo habitacional segundo dois eixos perpendiculares. O piso térreo conserva a divisão primitiva de quatro compartimentos, sendo três lajeados. O compartimento do canto posterior esquerdo tem o pavimento em terra batida e é, em parte, ocupado pelo maciço em que assentam o lar e o forno da cozinha. Neste maciço existe um segundo forno, mais pequeno, e um nicho/armário. No piso superior essa clareza estrutural, já limitada pela existência de uma escada de acesso ao sótão entre a cozinha e o compartimento do canto posterior direito, foi depois afectada pela introdução de um corredor.
A fachada principal reflecte a divisão interna. É limitada por dois largos cunhais e tem uma pilastra axial na direcção da parede interna. Junto ao soco tem um degrau lajeado, a todo o comprimento da fachada, ligado ao primeiro degrau da escada. É rematada superiormente por uma faixa e uma cornija. Os quatro vãos principais da fachada, rigorosamente dispostos a meio de cada metade definida pela pilastra, correspondem a cada um dos quatro compartimentos da frente: as portas do piso inferior às lojas e as janelas de sacada do piso superior às salas. As molduras das portas têm lintel duplo e uma pequena cornija. As molduras das janelas de sacada correspondem a uma variante do "estilo micaelense" em que o friso é constituído por almofadas rectangulares entre rosetas. À esquerda de uma das portas das lojas foi aberto um pequeno vão quadrado, para iluminação.
Da antiga propriedade em que se inseria o solar restam ainda alguns quintais, entre os quais se destaca um recinto murado, quadrangular, junto à empena esquerda da habitação. Tendo sido provavelmente destinado à primitiva horta, tem a parte superior do muro marcada por uma fiada de pequenos nichos que constituíam um pombal.
A fachada da capela é delimitada por um cunhal, do lado direito, e por uma pilastra, do lado esquerdo, ao lado da qual tem um prolongamento (também limitado à esquerda por uma pilastra) que suporta o campanário. Tem uma porta axial encimada por uma janela rectangular e é rematada por uma cornija que acompanha a inclinação das águas do telhado. A cornija tem uma secção horizontal no topo onde assenta um pequeno frontão delimitado por volutas e encimado por uma cruz. No tímpano existe uma moldura com um pequeno registo de azulejos representando o martírio de São Sebastião. Nos extremos da cornija e sobre o campanário existem pináculos rematados com esferas. Entre os pináculos do campanário está uma peça decorativa com uma suástica em relevo. A porta axial, com ombreiras apilastradas, é representativa do "estilo micaelense". Tem um friso com suásticas e rombos em ponta de diamante e dois motivos triangulares. Sobre a respectiva cornija estão dois pináculos embutidos em cujas bases se lêem, respectivamente, as inscrições "17" e "12". Na fachada lateral existe uma porta, mais pequena, com características semelhantes à principal. Sobre a cornija tem uma moldura rectangular que delimita um registo de azulejos representando também o martírio de São Sebastião, encimada por um motivo decorativo.
A capela tem planta rectangular e uma capela-mor saliente de planta quadrangular. Do lado do evangelho tem um púlpito e uma pequena arcaria aberta para um compartimento (sacristia?) por onde se acede ao púlpito. Actualmente o referido compartimento dá acesso também a uma instalação sanitária que preenche o canto livre entre o mesmo e a capela-mor. Em ambas as paredes laterais da nave existem registos de azulejos azuis e brancos do século XVIII. As paredes laterais da capela-mor são forradas por azulejos de padrão e de figura avulsa. O tecto da nave é de madeira e a capela-mor tem uma cobertura em abóbada de canhão com caixotões.
Os corpos primitivos do conjunto são construídos em alvenaria de pedra rebocada e pintada de branco, excepto os socos, os degraus, os cunhais, as pilastras, as faixas, as cornijas, as molduras dos vãos, os elementos decorativos e a abóbada da capela-mor que são em cantaria à vista. O quintal que serviu de pombal tem o muro rebocado e pintado de cor-de-rosa. As coberturas da capela, do corpo de ligação e do corpo acrescentado no balcão lateral são de duas águas em telha de meia-cana tradicional. A cobertura do corpo habitacional é de duas águas mas em telha de cimento. Todas têm telhão na cumeeira e beiral simples.
ELEMENTOS DATADOS: Inscrição nas bases dos pináculos embutidos na fachada principal da capela: "1712".
ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Razoável
FUNÇÃO INICIAL: Habitação e apoio à actividade rural
FUNÇÃO ACTUAL: Habitação e ermida
BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: "Noticia sobre as igrejas, ermidas e altares da Ilha de S. Miguel", Ernesto do Canto, in Insulana, vol. LVI, Instituto Cultural de Ponta Delgada, Ponta Delgada, 2000; Ficha 148/São Miguel do "Arquivo da Arquitectura Popular dos Açores".
OBSERVAÇÕES: No terreiro fronteiro ao solar foi construído um cineteatro no século XX.
Esta espécie faz parte de um conjunto edificado.
DATA DE LEVANTAMENTO: 2002-12-18
REMISSÕES: 22.235.159
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mapa: 189
São Miguel, Ribeira Grande
Inventário do Património Imóvel dos Açores
Última actualização em 2008-01-22