11.25.113 SOLAR JOÃO FALCÃO DE SOUSA
VILA DO PORTO • RUA DA BOA NOVA, Nº 19 A 29
EDIFÍCIO ISOLADO
ARQUITECTURA DOMÉSTICA
CONJUNTO PROTEGIDO
(Decreto Legislativo Regional nº22/92/A, de 21 de Outubro)
ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: SÉC.XV/SÉC.XVII
 
DESCRIÇÃO: Casa solarenga constituída por dois corpos habitacionais articulados pela capela que fica entre ambos. As respectivas fachadas sucedem-se ao longo da rua.
À esquerda da capela situa-se o corpo mais extenso (seis vãos muito espaçados à largura da fachada), aparentemente mais antigo. À direita fica o corpo mais pequeno (três vãos à largura da fachada) e mais recente. Ambos têm dois pisos sendo o corpo mais antigo ladeado por cunhais de cantaria. Toda a casa, no entanto, resulta de sucessivas remodelações e ampliações que a irregularidade dos telhados e, sobretudo, a amálgama de corpos nas traseiras (apesar de arruinadas) evidenciam.
Reconhece-se ainda, nas traseiras, o volume saliente da cozinha do corpo mais recente, cuja cobertura era uma abóbada de arestas que suportava um terraço/mirante com vista privilegiada sobre o primitivo porto da vila.
Evidencia-se também um terraço/mirante de maiores dimensões, ligado ao corpo mais antigo, com um muro com bancos e alegretes e vestígios de decorações relevadas. Foi construído sobre uma enorme abóbada de berço que cobre um compartimento com duplo pé-direito.
No que resta do interior, salienta-se a data "1637" gravada num lintel de uma porta do piso térreo, o travejamento decorado do salão principal e a capela que ainda conserva o frontal de altar em azulejo de tapete (azul, amarelo e branco) e um retábulo de madeira com motivos maneiristas (rombos e "rolwerk") encimado por uma placa de madeira semicircular com enrolamentos barrocos em relevo.
Todo o imóvel é construído em alvenaria de pedra rebocada e caiada (com pigmento almagre), à excepção dos cunhais e das molduras dos vãos que foram pintados de branco sobre o almagre (os vãos do piso superior do corpo maior e de ambos os pisos do corpo menor têm a verga rematada por um rebordo saliente; no corpo menor todos os vãos têm a verga curva). Os vãos do corpo maior sofreram várias alterações já no século XX, nomeadamente no que se refere aos caixilhos e às guardas das varandas que são em cimento. Salientam-se os dois grupos de vãos do lado esquerdo da fachada do corpo maior, os únicos do piso superior que estão alinhados com os do piso inferior, cujos peitoris salientes e avental são, simultaneamente, lintéis falsos muito altos e cornijas das portas correspondentes do piso inferior.
Na fachada da capela existe uma janela de sacada no piso superior (correspondente ao coro) com uma grande consola de pedra.
As coberturas eram em telha de meia-cana tradicional, rematadas em beiral duplo sobre cornija.
ELEMENTOS DATADOS: Inscrição num lintel no interior do corpo mais antigo: "1637".
ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Ruína
FUNÇÃO INICIAL : Habitação
BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: Plano de Salvaguarda da Vila do Porto, Santa Maria, 1ª fase, Análise, Paulo Gouveia, SREC/DRAC, 1992; Ficha A-22 do "Inventário do Património Histórico e Religioso para o Plano Director Municipal de Vila do Porto"; Fichas 138 e 139/Santa Maria do "Levantamento do Património Arquitectónico da Vila do Porto", SREC/DRAC.
REMISSÕES: 11.24.97; 11.24.106.
DATA DE LEVANTAMENTO: 2000-03-30
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Última actualização em 2006-11-04