11.25.110 IGREJA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DA ASSUNÇÃO
VILA DO PORTO • LARGO DA IGREJA
EDIFÍCIO ISOLADO
ARQUITECTURA RELIGIOSA
CONJUNTO PROTEGIDO
(Decreto Legislativo Regional nº22/92/A, de 21 de Outubro)
ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: SÉC.XV/SÉC.XVII

DESCRIÇÃO: Igreja com corpo principal rectangular, corpo da capela-mor também rectangular, mas mais estreito, torre sineira e vários corpos com um e dois pisos (baptistério, capelas, sacristia) adossados aos corpos principal e da capela-mor. Está rodeada por um adro quase de nível que ocupa todo o quarteirão, e que é em parte protegido por um murete e acessível por escadas em diferentes pontos.
A fachada tem os vãos (três portas e uma janela sobre a porta central) rematados em arco abatido sobre impostas. As respectivas ombreiras são prolongadas por simulações de pináculos e os fechos dos arcos por enrolamentos e concheados. A porta central é sobrepujada por um conjunto de enrolamentos e formas vegetalistas que interrompem a faixa de cantaria que divide a fachada em dois pisos. A parte superior da fachada tem um remate com secções de inclinação diferente, sendo as secções superiores claramente curvas e as duas inferiores quase rectas. Ao eixo é encimada por uma cruz. Nas junções das secções e nos extremos laterais é encimada por pináculos (ficando o do extremo direito já encastrado no cunhal da torre).
As portas exteriores das fachadas laterais, situadas aproximadamente a meio das naves, têm as molduras de cantaria em arco quebrado.
A torre sineira, de planta quadrangular, localiza-se à direita da fachada principal. Está dividida por cornijas em três secções, correspondendo a duas superiores, mais curtas, respectivamente à zona dos sinos (com um vão em cada face) e à ampliação com os relógios (um em cada face). É rematada por uma guarda em cantaria com pináculos nos ângulos. Os vãos sineiros são rematados com arcos de volta inteira, peraltados, sobre impostas.
O interior (sem transepto) divide-se em três naves. As arcadas separadoras são constituídas por cinco arcos de volta inteira assentes em colunas cilíndricas com bases e capitéis circulares. O espaço correspondente ao primeiro tramo, junto às portas de entrada, é preenchido por um coro-alto. A cada nave lateral corresponde um tecto de madeira de três esteiras. Ao fundo de cada nave lateral existe uma pequena capela colateral. Cada nave tem duas capelas laterais, correspondendo a primeira do lado da epístola ao actual baptistério. As colunas encastradas nos cantos desta capela e a respectiva cobertura indiciam um investimento construtivo passado que deve ter sido alterado com o andar dos tempos. A segunda do lado da epístola, que fica em frente à primeira do lado do evangelho, tem um retábulo em talha barroca de “estilo nacional” pintado de branco. No fecho do arco exterior tem a seguinte inscrição em relevo: “NSDO / CARMO / 1758”. Entre esta capela e a colateral do mesmo lado existe ainda um altar. A colateral do lado da epístola tem um retábulo de talha barroca “estilo nacional” (verde e dourado) e uma cobertura em abóbada de canhão com caixotões quadrados em cujos centros estão florões ou outros motivos salientes. A segunda capela do lado do evangelho é coberta por uma cúpula quase semi- esférica, de base octogonal, com nervuras radiais, assente aos cantos numa espécie de trompas. Na parede do lado direito da mesma capela está encastrado um nicho (destinado a um altar?) rectangular em cantaria, com base maior que a altura, com colunelos laterais e uma verga recortada de desenho manuelino. Todos os vãos de comunicação entre a igreja e as capelas são arcos de volta inteira sobre impostas, destacando-se, de entre os que são em cantaria (primeira capela do lado da epístola, segunda capela do lado do evangelho, colateral do lado
do evangelho e arco triunfal), o primeiro e, em particular, o terceiro, pela espessura e por apresentar uma decoração de cartelas e rectângulos almofadados de gosto maneirista.
Na parede da igreja do lado da epístola existe uma cartela com a inscrição “ESTA IGREJA / ARDEO EM 6 DE OUTU= / BRO DE 1832: REEDIFI= / CADA PELO VIGARIO VIC= / TORINO ANTONIO DO REGO / CALLISTO COM ESMOL= / LAS DOS HABITANTES / 1833”.
Do lado do evangelho existe uma lápide com a inscrição “A 25 DE JULHO DE 1951 / PRIMEIRO ANO DA DEFINIÇÃO DOGMÁTICA / DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA AO CEU / O VENERANDO BISPO DESTA DIOCESE / D. GUILHERME AUGUSTO CUNHA GUIMARAIS / SAGROU SOLENEMENTE ESTA MATRIZ / SENDO VIGÁRIO PE VIRGÍNIO L. TAVARES”.
O imóvel é construído em alvenaria de pedra rebocada e caiada, com excepção do soco (de perfil recortado), dos cunhais (apilastrados), das faixas, das molduras dos vãos, das abóbadas da capela colateral do lado da epístola e da segunda capela do lado do evangelho, das colunas, dos arcos, das bordaduras e restantes elementos decorativos que são em cantaria à vista.

ELEMENTOS NOTÁVEIS: Arco da capela da cabeceira do lado do evangelho. Segunda capela do lado do evangelho. Portais das fachadas laterais da igreja.
ELEMENTOS DATADOS: Inscrição numa cartela na parede do lado da epístola: "1832" e "1833"; inscrição numa lápide na parede do lado do evangelho: "1951"; inscrição no fecho do arco exterior da segunda capela do lado da epístola: "1758".
ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Bom
FUNÇÃO INICIAL: Igreja
FUNÇÃO ACTUAL: Igreja matriz
BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: Ficha A-23 do "Inventário do Património Histórico e Religioso para o Plano Director Municipal de Vila do Porto"; Ficha 64/Santa Maria do "Levantamento do Património Arquitectónico da Vila do Porto", SREC/DRAC.
REMISSÕES: 11.24.97; 11.24.106.
DATA DE LEVANTAMENTO: 2000-03-30
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Última actualização em 2006-11-04