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| 81.4.37 IGREJA MATRIZ DE NOSSA SENHORA DA CONCEIÇÃO |
| SANTA CRUZ • RUA DA CONCEIÇÃO |
| EDIFÍCIO ISOLADO |
| ARQUITECTURA RELIGIOSA |
| IMÓVEL DE INTERESSE PÚBLICO |
| (Resolução nº220/98, de 5 de Novembro) |
| ÉPOCA DE CONSTRUÇÃO INICIAL: SÉC.XVIII/SÉC.XIX |
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DESCRIÇÃO: Igreja de grandes dimensões situada num adro nivelado e elevado
em relação à rua, acessível por cinco largos degraus pavimentados com
calçada à portuguesa que, frente à fachada, têm uma configuração semicircular
que amplia o adro. O espaço livre ao lado esquerdo da igreja, definido
pela fachada lateral, pela torre esquerda e pela sacristia, é também pavimentado
com calçada à portuguesa entre canteiros. As áreas que envolvem o
edifício pelos lados direito e posterior são relvadas.
O edifício assume uma posição de destaque em Santa Cruz, sendo visível de
praticamente toda a vila. É composto pelo corpo principal, rectangular, pelo
corpo mais estreito da capela-mor, pelas duas torres sineiras e por um corpo
anexo de cada lado, envolvendo os ângulos posteriores do corpo principal
(cada um destes anexos é constituído por um corpo rectangular mais antigo e
por uma ampliação em ”L”).
A fachada principal está dividida em três níveis por cornijas e em três secções
verticais por meio de pilastras. No nível inferior, cada secção tem uma porta,
correspondente a cada uma das naves. As molduras das portas têm lintel
duplo e cornija e são ladeadas por colunas de fuste cónico com pedestais
muito pronunciados. Os capitéis das colunas integram-se na cornija da porta e
parecem ser sucedâneos da ordem coríntia na porta central e da ordem jónica
nas portas laterais. No primeiro lintel de cada porta há uma roseta em relevo.
Por cima de cada capitel há um elemento bojudo que o une à cornija de separação
dos níveis. Por cima da cornija há pináculos na vertical das colunas.
No nível intermédio, cada secção tem uma janela de guilhotina de duas folhas,
alinhada pela porta que lhe é inferior, mas mais estreita. Cada janela tem
uma moldura e um enquadramento que repete, em ponto mais pequeno, a
moldura e o enquadramento das portas, mas com um avental almofadado
entre os pedestais das suas colunas. Em cada um destes pedestais há uma
inscrição em latim, que, da esquerda para a direita, se lê ”CONCEPTIONEM”,
”BEATÆ”, “VIRGINIS”, ”MARIÆ”, ”CUMGAUDIO” e ”RECOLAMUS”. Acima
dos capitéis das colunas das janelas, que são mais elaborados que os das
portas, elementos bojudos ligam a uma segunda cornija que, por sua vez, tem
elementos de ligação à cornija de remate do segundo nível da fachada. Toda esta cornija apresenta zonas mais salientes no cruzamento com os elementos
verticais da fachada.
O terceiro nível da fachada tem um remate superior semelhante a um frontão
mistilíneo. É encimado por uma cruz de ferro a eixo. As pilastras que dividem
as secções da fachada terminam no nível correspondente à base do frontão
com um capitel onde assenta um pináculo embutido. Na secção central há
um óculo polilobado emoldurado por um quadrado que assenta na segunda
cornija de divisão da fachada. A eixo, do lado superior do quadrado, há
uma concha em relevo. Acima do quadrado há um segmento de cornija que
suporta, a eixo, um segmento de pilastra encimado, já no tímpano do frontão,
por um quadrado rodado a 45 graus e rematado por um relevo em forma de
concha. Em cada uma das secções laterais há um óculo cego, quadrangular,
rodado a 45 graus, com moldura dupla, encimado por uma pequena concha
em relevo. Acima de cada óculo há um segmento recto de cornija, encimado
por um segmento de pilastra rematado por um capitel onde assenta um
pináculo, com um grande plinto, que limita as volutas de remate do frontão.
As torres sineiras estão implantadas à face da fachada, também divididas em
três níveis pelo prolongamento das suas cornijas de tal modo que parecem
constituir mais duas secções do frontispício. No nível inferior há, em cada
torre, uma janela de guilhotina com molduras simples cujas ombreiras, prolongadas
superiormente, formam uma moldura rectangular, rematada por uma
cornija, com uma roseta em relevo ao centro. No nível intermédio há uma
janela semelhante mas mais baixa sendo a moldura superior, com um elemento
decorativo concheado ao centro, de maiores dimensões. Tem uma cornija sob
o peitoril, suportada por duas meias-volutas que definem um avental. No centro
do avental há uma cartela sem inscrições. O nível superior das torres, correspondente
ao campanário, tem um vão de sino em cada uma das três faces
livres. Estes vãos são rematados em arco de volta inteira peraltado, assente
em impostas, e apoiam-se num soco situado sobre a cornija do segundo nível.
As torres são rematadas superiormente por uma cornija e encimadas por uma
cúpula bulbosa octogonal assente num tambor e rematada por um pináculo.
As portas das fachadas laterais têm molduras com lintel duplo e cornija,
enquadradas por pilastras muito salientes assentes em pedestais altos e moldurados.
Há uma segunda cornija, separada da primeira por curtos prolongamentos
das pilastras e rematada por um pináculo em cada extremo, onde
assenta uma janela.
No interior, o corpo principal da igreja está dividido em três naves separadas
por duas fiadas de cinco arcos de volta inteira apoiados em pilares de
secção quadrada, com pedestal, base e capitéis salientes. A porta axial está
protegida no interior por um guarda vento de madeira. O coro alto situa-se
sobre a entrada, ocupando o primeiro tramo das naves, pelo que os arcos do
primeiro tramo, que o sustentam, são mais baixos que os restantes e suportam
paredes que dividem o coro em três secções. Os apoios da secção central
são reforçados por quatro pilaretes em madeira, dois dos quais, de menores dimensões, ligados ao guarda vento. A ligação entre as três secções faz-se
através de portas. No coro há mais uma porta, em cada parede lateral, de
comunicação com as torres sineiras. Estas quatro portas têm molduras com as
arestas boleadas e com duplo lintel encimado por cornija. Na secção central
do coro há um órgão.
Sob o coro, do lado da epístola, há uma porta de ligação ao interior da torre
onde se situa a escada de acesso ao coro. Em cada um dos pilares do primeiro
tramo há uma pia de água benta em forma de concha. Ainda sob o coro,
do lado do evangelho, há um vão rematado em arco de volta inteira assente
em impostas, que acede ao baptistério. Este vão tem a bandeira raiada, em
madeira trabalhada. O baptistério, que corresponde ao aproveitamento do
piso térreo da torre esquerda, está coberto por uma abóbada de berço, em
cantaria à vista, limitada por cornijas. As paredes são revestidas a azulejo relevado
e policromado. Na parede do lado direito tem um nicho rectangular.
As portas laterais ficam na zona correspondente ao terceiro tramo. Ao lado
direito da porta do lado do evangelho há uma pia de água benta em forma de
concha. Acima do nível das portas, em ambas as paredes, há quatro janelas
situadas a diferentes alturas, cada uma correspondendo a um tramo. No terceiro
pilar a contar da entrada, do lado do evangelho, há um púlpito com
consola de pedra em forma de grande mísula acessível por uma escada igualmente
em pedra. O púlpito e a escada têm guarda de balaústres em madeira.
Na zona do quinto tramo, que tem o pavimento sobrelevado por um degrau
(presbitério), há uma porta em cada uma das paredes das naves laterais.
A do lado do evangelho dá acesso à sacristia e a do lado da epístola a uma
pequena capela rectangular, actualmente utilizada como arrumo. Estas duas
portas e a porta de acesso à torre têm molduras com duplo lintel e cornija
encimada por uma concha em relevo, ao eixo, e por dois pináculos embutidos
no alinhamento das ombreiras.
O arco triunfal, de volta inteira, está assente em pés-direitos com pedestal,
bases e capitéis salientes. De cada lado do arco, no topo das naves laterais,
há um retábulo. Nas mesmas paredes de topo, acima das cornijas, há óculos
circulares. Acima do arco triunfal, cujo fecho está ligado à cornija superior,
podem ver-se, entre o arco e a cornija, dois elementos almofadados de cantaria
em posição simétrica. Acima da cornija há um elemento simbólico/decorativo
em relevo, com três estrelas de cada lado, encimado por uma janela
quadrangular.
A capela-mor é profunda e da mesma largura da nave central. Na parede do
lado do evangelho tem uma porta de acesso a um compartimento de arrumos
seguida por duas janelas altas. Do lado da epístola há uma composição simétrica
mas com a porta emparedada. Ao fundo da capela-mor, numa zona mais
elevada, há um retábulo. Este retábulo, assim como os das naves laterais, é
em talha revivalista (dourada e pintada) de sabor vagamente neoclássico. As
paredes e o tecto são pintados tendo painéis figurativos rodeados de motivos
decorativos.
Os tectos das três naves, da capela-mor, da sacristia e da capela lateral (arrecadação)
são em madeira a simular abóbadas de berço apoiadas em grandes
cornijas. Os tectos das naves e da sacristia estão pintados de azul.
Na sacristia há um vão rematado em arco de volta inteira assente em impostas/
capitéis, com fecho saliente, hoje fechado com uma parede e uma porta
em madeira, que daria acesso a um compartimento, muito alterado, onde
ainda se vê um lavabo em pedra.
Todo o edifício é construído em alvenaria de pedra rebocada e pintada de
branco, excepto os socos, os cunhais, as cornijas, as pilastras, as colunas, as
molduras dos vãos, os pináculos e os restantes elementos decorativos, os arcos,
os pilares interiores e a consola do púlpito que são em cantaria à vista. As
coberturas são de duas águas em telha de meia-cana com beiral simples. As
coberturas das ampliações dos anexos/sacristias resultam do prolongamento
das águas posteriores dos corpos rectangulares originais. |
| ESTADO DE CONSERVAÇÃO: Razoável |
| FUNÇÃO INICIAL: Igreja |
| FUNÇÃO ACTUAL: Igreja paroquial |
| BIBLIOGRAFIA E DOCUMENTAÇÃO DE REFERÊNCIA: A ilha das Flores: Da
redescoberta à actualidade (Subsídios para a sua História), Francisco António
Nunes Pimentel Gomes, Câmara Municipal de Lajes das Flores, 1997; Arquitectura
Popular dos Açores, AAVV, Ordem dos Arquitectos, [Lisboa], [2000];
Concelho de Santa Cruz das Flores: Roteiro Histórico e Pedestre, Pierluigi
Bragaglia, Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores, 1999; ”Santa Cruz e
as suas igrejas, convento e ermidas”, in O Monchique, suplemento da edição
nº6, 21 de Maio de 1998, págs. 2 a 4; “Santa Cruz das Flores – A Fronteira
Ocidental da Europa. 455 anos de História”, suplemento do jornal Expresso
das Nove de 20 de Junho de 2003; Ficha 8/Flores do ”Arquivo da Arquitectura
Popular dos Açores”. |
| OBSERVAÇÕES: Ao lado esquerdo da igreja, junto à Praceta Roberto de Mesquita, há um jardim murado com uma boca de poço(?) octogonal ao
centro.
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| DATA DE LEVANTAMENTO: 2003-10-12 |
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